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    Justiça manda soltar servidor da Câmara de Sorriso investigado por estelionato e preso com cocaína

    Antônio Jocemar Pedroso da Silva é um dos alvos da Polícia Civil na Operação Falso Mestre, que investiga grupo criminoso envolvido em fraudes bancárias destinadas especialmente à obtenção de financiamento de veículos.

    Antônio Jocemar Pedroso da Silva, gestor legislativo e pregoeiro da Câmara Municipal de Sorriso (a 398 km de Cuiabá) e ex-professor do Ensino Médio, é um dos alvos da Polícia Civil na Operação Falso Mestre, deflagrada na terça-feira (19) para desarticular um grupo criminoso envolvido em fraudes bancárias destinadas especialmente à obtenção de financiamento de veículos. Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão, mas, durante o cumprimento, foram encontradas na casa dele duas porções de cocaína embaladas em plástico tipo ziplock, uma porção maior em outro invólucro, além de um tablete de cocaína escondido no interior de um dos canos da residência.

    Também foram apreendidos balança de precisão, papel-filme, embalagens ziplock, aparelhos eletrônicos e outros objetos relacionados ao tráfico.

    Em um cofre no quarto dele havia diversas folhas de cheque e documentos relacionados à confissão de dívida. Antônio Jocemar alegou que empresta dinheiro a juros.

     

    Em razão da droga encontrada, ele foi preso em flagrante. A Polícia Civil de Sorriso pediu a prisão preventiva do investigado, mas, durante audiência de custódia realizada nessa quarta-feira (20), a juíza do Núcleo de Justiça 4.0, Laura Dorilêo Cândido, negou o pedido e determinou a soltura de Antônio.

     

    Na decisão, a magistrada disse que não há elementos concretos para manter a prisão e que a quantidade de droga apreendida não é expressiva a ponto de indicar periculosidade do investigado ou risco à ordem pública.

     

    “A quantidade de droga apreendida, embora não seja ínfima, não se revela expressiva a ponto de, por si só, indicar maior periculosidade concreta do agente ou risco efetivo à ordem pública”, diz trecho da decisão.

    Durante a audiência de custódia, Antônio Jocemar disse que, raramente, faz uso de cocaína.

    Laura Dorilêo Cândido considerou ainda a função pública dele na Câmara e o fato de possuir residência fixa para reforçar a ausência de necessidade da prisão.

    A soltura foi concedida mediante pagamento de fiança no valor de três salários mínimos, equivalente a cerca de R$ 4,8 mil, e imposição das seguintes medidas cautelares: não se envolver em outro fato criminalmente ilícito, proibição de se ausentar da cidade, comparecimento mensal em juízo e uso de tornozeleira eletrônica.

    Embora não tenha antecedentes criminais, Antônio Jocemar possui passagens pela polícia por crimes de ameaça, apropriação indébita e estelionato.

    Operação Falso Mestre

    As investigações começaram após denúncia de uma vítima que relatou ter sido induzida a fornecer documentos pessoais sob o pretexto de matrícula em curso de conclusão do Ensino Médio na modalidade EJA. O investigado era conhecido da vítima, antigo professor, e teria utilizado a relação de confiança construída ao longo dos anos para obter acesso aos documentos pessoais, posteriormente empregados em fraudes bancárias destinadas à obtenção de financiamentos de veículos.

    No decorrer das investigações, verificou-se que foram realizados financiamentos fraudulentos de veículos junto a instituições financeiras, incluindo um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, com contratos bancários firmados sem o consentimento da vítima.

    As apurações permitiram identificar o fluxo financeiro do esquema criminoso, os destinatários dos valores obtidos ilicitamente e a atuação de integrantes responsáveis pela falsificação documental, movimentação financeira e tentativa de regularização fraudulenta dos veículos.

    Também foram identificados elementos que indicam possível participação de pessoas com acesso a cartório da cidade, incluindo um juiz de paz responsável por procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema. Um dos alvos investigados era comum a outra operação deflagrada no município: um juiz de paz com acesso a procedimentos cartorários da cidade, apontado como possível facilitador das fraudes investigadas.

    As investigações são conduzidas pela Delegacia de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro.

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