Adenir Pinto da Silva fez representações contra a autoridade policial na Corregedoria-Geral da Polícia Civil
A 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças (a 511 km de Cuiabá) encaminhou uma representação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção de Barra do Garças contra o advogado Adenir Pinto da Silva, alvo da Operação Cenário Montado, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro do ano passado para investigar um grupo criminoso especializado em fraudar licitações públicas no setor de eventos.

Adenir Pinto da Silva foi alvo de Operação da Polícia Civil e teria feito acusações falsas contra delegado na Corregedoria
A suspeita é que ele tenha cometido infrações etico-disciplinares e feito denuncias falsas contra um delegado.
De acordo com a instituição, a medida ocorre após a conclusão de uma Verificação Preliminar instaurada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o arquivamento de representações apresentadas pelo advogado contra a autoridade policial. Por meio de nota, a delegacia informou que a representação encaminhada à OAB tem o objetivo de que a entidade analise a eventual prática de infração ético-disciplinar relacionada aos fatos apurados no procedimento.
Além disso, informou que solicitou ao Delegado Regional de Barra do Garças,Wylyney Santana Borges, a apuração de possível prática do crime de denunciação caluniosa e de outras infrações penais correlatas por parte de Adenir.
A investigação deverá verificar se as acusações formuladas pelo advogado contra o delegado são falsas.
Ainda na nota, a 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças ressaltou que as medidas adotadas não representam antecipação de culpa e que eventual responsabilização dependerá da conclusão das investigações e das decisões das autoridades competentes, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Por fim, destacou que permanecem em vigor todas as medidas cautelares determinadas pela Justiça no âmbito da Operação Cenário Montado, incluindo a suspensão das atividades empresariais e as restrições patrimoniais impostas aos investigados.
Adenir Pinto da Silva continua respondendo à ação penal decorrente da denúncia oferecida pelo Ministério Público, que segue em tramitação no Poder Judiciário.
Operação Cenário Montado
A Operação Cenário Montado investiga uma associação criminosa suspeita de fraudar licitações públicas, principalmente no setor de eventos, em Mato Grosso e Goiás.
Segundo a decisão da 2ª Vara Criminal de Barra do Garças que autorizou a operação, o grupo direcionava licitações, utilizava empresas de fachada, simulava concorrência e executava contratos de forma fictícia, com superfaturamento de até 372,09% em itens como palcos, iluminação, geradores e telões de LED. Diante dos indícios de continuidade das práticas criminosas, a Justiça decretou a prisão preventiva de sete investigados, além de buscas, quebras de sigilo, suspensão das empresas envolvidas e bloqueio de mais de R$ 4,2 milhões.
Conforme a decisão judicial, Adenir Pinto da Silva é apontado como líder do esquema, responsável por coordenar as fraudes, pressionar servidores e manter a atuação do grupo mesmo após restrições judiciais. Paulo Henrique de Freitas Pinto, filho de Adenir, teria atuado como interposto ao figurar como proprietário da empresa Signus Estruturas e Eventos Ltda., criada para dar continuidade às atividades. Lucimar Teixeira da Silva seria o administrador da empresa Tay Comércio e Serviços Ltda., enquanto Tayara Félix Alves Cardoso aparecia formalmente como proprietária da empresa, exercendo o papel de testa de ferro. Rodrigo Mendes Moreira, funcionário da Tay, é acusado de coordenar e fiscalizar contratos com execução simulada e subcontratada.
A investigação também aponta a participação de servidores públicos. Luciana Costa da Silva, servidora da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças, é suspeita de elaborar documentos e relatórios fraudulentos e de pressionar fiscais para validar serviços incompatíveis com a execução dos contratos. Já Elcio Mendes da Silva, servidor comissionado ligado ao Gabinete do Prefeito, teria atuado na articulação política e administrativa para viabilizar contratações, liberar recursos públicos e assegurar os pagamentos às empresas investigadas.


