Prefeito de Cuiabá afirma que unidade de saúde foi custeada com verbas devolvidas por ex-gestores após desvios e reitera que projeto não recebeu investimentos do Governo Federal.
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), subiu o tom ao comentar a origem dos recursos utilizados na entrega do CAPS Adolescer, nova unidade especializada no atendimento de crianças e adolescentes com demandas em saúde mental. Durante a inauguração hoje (6), ele disse que a reforma foi integralmente custeada com dinheiro recuperado de esquemas de corrupção, sem ter qualquer investimento do Governo Federal.

Segundo Abílio, o montante de R$ 6 milhões investidos é resultado direto de devoluções feitas por nomes conhecidos da política mato-grossense. “Não tem um centavo do Governo Federal, não tem um centavo do Lula aqui”, disparou o prefeito.
Abílio foi direto ao citar que os recursos são provenientes de escândalos protagonizados pelo ex-deputado José Riva e pelo ex-governador Silval Barbosa. O prefeito destacou que, após as delações e acordos de colaboração, o dinheiro que havia sido “surrupiado” dos cofres públicos voltou para o Estado, permitindo a estruturação de espaços como salas de atendimento individual, áreas de lazer e hortas laborais para pacientes.
Ele explicou que o financiamento da obra só foi possível graças à atuação do Ministério Público do Estado (MPMT) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que conseguiram reaver ativos desviados em gestões passadas.
Apesar da entrega da obra de qualidade, o prefeito pontuou que a utilização de verba recuperada não deve ser motivo de celebração plena, mas sim de reflexão sobre a ética na gestão pública. “Não temos que comemorar uma unidade de saúde feita com dinheiro recuperado da corrupção. Temos que comemorar um estado que não rouba o dinheiro da saúde”.
José Riva, ex-presidente da ALMT, e Silval Barbosa, ex-governador do Estado, foram figuras centrais em diversas operações policiais que investigaram desvios bilionários de dinheiro público e pagamento de propinas. Ambos firmaram acordos de colaboração premiada com o MPF (Ministério Público Federal) e o MPMT, comprometendo-se a devolver vultosas quantias desviadas em troca de reduções de pena.


