O deputado estadual Dilmar Dal’Bosco admitiu que avalia a possibilidade de deixar o União
Brasil para se liar ao PRD, partido criado em 2024 a partir da fusão entre PTB e Patriotas. No entanto, ele ressaltou que sua migração depende da liberação partidária ou da janela de
transferência, prevista apenas para o próximo ano. Segundo o parlamentar, o governador
Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil, não sinalizou qualquer disposição para
liberá-lo antes desse prazo.

“Para sair, dependo da janela partidária, por questões jurídicas. Lá na janela ou liberação do partido. Já conversei com o governador e ele nunca deixou liberado essa possibilidade de eu ir para o PRD. Tenho que analisar. Amanhã a gente deve ter uma reunião para conversar sobre questões partidárias no União. Quero conversar sobre a política e as composições que podemos ter”, armou Dilmar nesta quarta-feira (26).
O parlamentar destacou que existe preocupação entre os deputados sobre o processo eleitoral de 2026, citando a situação do deputado Paulo Araújo (PP), que teme os impactos de uma eventual federação partidária. “Isso impactaria cinco deputados. Não é fácil agregar novas pessoas, tendo cinco que vão à reeleição”, acrescentou.
O PRD tem conduzido tratativas para atrair novos deputados estaduais e ampliar sua
representatividade na Assembleia Legislativa. Além de Dilmar, o partido negocia com outros
três parlamentares, mas as conversas ocorrem de forma reservada. Atualmente, a legenda
conta com apenas um representante no legislativo estadual, o deputado Chico Guarnieri, que assumiu a vaga deixada por Cláudio Ferreira (PL), eleito prefeito de Rondonópolis.
Questionado sobre a possível migração de Dilmar e outras lideranças, o governador Mauro
Mendes evitou dar declarações conclusivas e reforçou que não pretende priorizar questões
eleitorais no momento. “Olha, eu não tenho, como já disse algumas vezes, priorizado muito
essa agenda eleitoral de 2026. Tudo ao seu devido tempo. Temos ainda muito tempo até iniciar o período efetivamente eleitoral, que abre a partir do momento que fecha o período de desincompatibilizações e de liações, em abril de 2026. Até lá, meu principal foco será a gestão e a agenda de trabalho”, disse o governador.
Mendes também armou que trocas partidárias fazem parte do cenário político brasileiro, mas criticou a falta de identidade ideológica das siglas. “Os partidos acabaram virando meros instrumentos cartoriais de um processo eleitoral. Não dá para condenar ninguém que uma hora está num partido e outra hora está em outro”, pontuou.


